Com cerca de 90 obras de 29 artistas das Américas e da Ásia, a exposição Cartas à memória investiga as complexas relações entre arte, política, identidade e memória nas experiências da diáspora asiática. Realizada pelo Sesc Avenida Paulista, a mostra tem curadoria de Yudi Rafael e contou com produção geral da Expomus.
A mostra foi inspirada no livro Letters to Memory (2017), da escritora nipo-americana Karen Tei Yamashita, e propõe uma reflexão profunda sobre os vestígios da história e os fantasmas do presente. Por meio de pinturas, fotografias, vídeos, instalações, documentos e cartazes, a mostra revisita episódios de repressão, deslocamento e resistência vividos por comunidades asiáticas no Brasil, nos Estados Unidos e em países da América Central.
Esses temas permeiam o conjunto de obras expostas, propondo um percurso histórico e artístico que ressalta como os séculos XX e XXI foram marcados por guerras e crises políticas, que promoveram movimentos migratórios de diversos países do leste e sudeste asiático em direção às Américas, e consequentemente seus desdobramentos na experiência das comunidades e em suas construções identitárias.
Entre os artistas participantes, estão obras de do americano de ascendência chinesa, Corky Lee (1947–2021) que apresentam o cotidiano, as celebrações, as manifestações e lutas por direitos civis e justiça social das comunidades asiáticas nos Estados Unidos; os cartazes revolucionários, do artista gráfico cubano René Mederos (1933-1996), produzidos a partir de suas visitas ao Vietnã; um filme do vietnamita Tuan Andrew Nguyen (1976), que mistura registro documental e linguagem mítica ao revisitar uma ilha de refugiados de guerra no Sudeste da Ásia.
A mostra também apresenta quatro projetos inéditos das artistas Caroline Ricca Lee, Tais Koshino, Alice Yura e Lina Kim, que investigam histórias de enclaves étnicos e trajetórias migrantes nas Américas e na Ásia.
Fotos: Ronny Santos
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